A Nacionalidade dos objetos

Largo das Artes, 2015
Curadoria Fernanda Lopez

Residência Largo das Artes

Programa Claraboia 

A série de instalações apresentadas na exposição "A nacionalidade dos obejtos' revelam o continuo desejo de buscar a pintura em outros meios. O trabalho, ‘Pintura tridimensional’  é a reorganização do plano pictórico, o papel, inicialmente retangular, é desenhado frente e verso, recortado, dobrado e torcido para ganhar tridimensionalidade. O ‘Objeto pictórico I / Balões’ e o ‘Objeto pictórico II / Clarabóia’ retratam a cultura popular através do papel seda. O primeiro nas formas dos balões em si, formando um corpo pictórico que ocupa o espaço e o segundo explorando a transparência do papel seda que ao ser ativada pela luz da clarabóia revela as camadas de sobreposições de cores como numa aquarela. 

À primeira vista pode não parecer, mas o que Tamirys Araujo apresenta é uma exposição de pintura. Os trabalhos que vemos dão continuidade à investigação do espaço pictórico que a artista carioca, selecionada para a segunda edição do Programa Claraboia, vem realizando desde 2011. O maior deles encontra-se instalado na parede de cerca de 13 metros de comprimento do espaço expositivo. Como ponto de partida, Tamirys se apropria de suas pinturas e seus desenhos de observação antigos. As formas figurativas que antes estavam ali representando parte do mundo vão sumindo à medida em que ela recorta a superfície e aplica novas camadas de tinta não só no que seria a frente do papel, mas também no verso. As imagens reconhecíveis agora são cores-coisas: suas cores, que antes estavam atreladas às formas que a artista tentava representar (pessoas, coisas, paisagens), se apresentam agora como formas autônomas, que passam do plano bidimensional para o tridimensional, ao serem cortadas, dobradas, torcidas.

 

 A prática da pintura também é o mote dos outros dois trabalhos. Feitos a partir de folhas de papel de seda, lidam com princípios históricos do meio, como a construção em camadas, a lógica de composição e sobreposições, além do interesse pela luz e pela transparência. Em um deles, as folhas ganham corpo em forma de balões de São João (reafirmando o interesse da artista por histórias e costumes populares), que se apresentam em forma de uma grande nuvem, suspensa no espaço. Em outro, Tamirys cria novas formas e cores a partir da sobreposição das folhas, que já trazem originalmente diferentes padronagens concebidas a partir da repetição de formas geométricas e que ganham variadas configurações a partir da alteração de suas cores. O resultado é um grande plano, que, como nos outros trabalhos, são corpos como os nossos no espaço. Nas pesquisas de Tamirys Araújo, a parede não é mais o único lugar da pintura.

*Este texto foi escrito por ocasião da exposição ‘A Nacionalidade dos Objetos'.